domingo, 27 de fevereiro de 2011

Se eu tivesse 4 ex-namorados... (parte 3)



































Casamento de uma amiga. Convidados, na maior parte, casais. Não que eu me importasse de ir sozinha, mas a pedidos, conheci então pessoalmente, na hora da entrada, quem faria par comigo. Ela disse que se eu não gostasse, era só fazer o sinal que combinamos, e ela seguia outro plano. Saiu do carro com um sorrisinho maroto, e apontou com os olhos: "É aquele." Ah, tudo bem, ela já tinha me contado que o rapaz era tímido, e eu estava resolvida a fazer uma boa ação. Se a conversa fosse chata, deixava ele sozinho, ia curtir a festa, e depois, ia embora. Mas ele procurava o seu par, e deu meia volta. Minha amiga chegou mais perto e brincou: "Vai ficar aí babando ou vai assistir meu casamento? Pelo visto, ele também gostou de você. Acho que acabei de apresentar os próximos noivos." Deu uma risada, e me fez prometer que eu contaria tudo a ela depois. Ele era daqueles homens que nos fazem esquecer a coesão nas frases. Falava pouco, transmitia pensamentos na maioria das vezes, em ações. Ofereceu o braço, e eu, agradeci, torcendo para que meus joelhos permanecessem firmes. Falei o tempo todo, e ele apenas sorria. Dava respostas breves para as minhas nem tão sutis perguntas. Os silêncios, para mim, eram constrangedores. Voltei para a casa com a sensação de ter passado a imagem de imatura e histérica (a julgar pelas frases gaguejadas, e as interrompidas porque tinha me esquecido do que estava dizendo). Na conversa de frente para o espelho, após o banho, ia prometendo que ia virar o jogo, e que da próxima vez, se houvesse uma, seria aquela que o constrangia. Com a amiga casando naquela noite, obviamente, só poderia contar minha  humilde história semanas depois. Enrolada na toalha, acabava de secar os pés, quando tive a ideia de ligar para outra amiga, mas hesitei quando lembrei que teria de contar que agi como uma adolescente. O celular vibrou. Não notei que o número era desconhecido. Ainda rindo sozinha, atendi com voz sensual para brincar com o colega legalzinho do trabalho que de vez em quando ligava para conversar. "Boa noite, L., não aguenta passar o fim de semana sem ouvir minha voz? Hahaha..." E a voz respondeu: "Na verdade, quem fala é o R." O silêncio constrangedor novamente, como eu não percebi que o número era desconhecido? E ele descontraiu, sorrindo, enquanto dizia que não sabia que minha voz era tão sensual ao telefone. Agradeci o elogio, pedi para esperar um pouco, e fui correndo ao quarto pular, dar gritos abafados pelo travesseiro, e perguntar umas dez vezes 'o que eu faço agora?'. Lembrei do que eu tinha conversado comigo mesma, e ao final da conversa, consegui fazer com que ele se soltasse um pouco mais. No meio de tudo isso, L. ligou mesmo, mas esqueci a ligação em espera indefinidamente. Antes de desligar, R. disse que eu era tão bonita quanto minha amiga me descreveu, e pediu permissão para gravar meu número nos contatos. Logicamente, eu permiti, e também me permiti acrescentar que eu o achei completamente diferente do que minha amiga disse que ele era. Ele explicou que sua profissão fazia com que muitos pensassem que sua conversa seria técnica e puramente intelectual todo o tempo, e que entendia meu receio. Daí desculpou-se pelas breves falas durante a festa, e desligamos. A semana foi resplandecente para mim, enxergava alegria onde não existia motivo algum para tal. O L. foi o primeiro a detectar que eu estava apaixonada, assim que o cumprimentei, o resto do planeta, em segundo, e em terceiro, minha amiga que voltava da lua-de-mel na semana seguinte. Meu namorado era definitivamente o primeiro homem que aparecia na minha vida: bem resolvido, destemido, e também  protetor e amoroso. Era o primeiro homem que tinha a coragem de chorar na minha frente, e mostrar suas fraquezas, permitindo que eu estivesse presente na sua vida, e compartilhasse suas alegrias e tristezas. Essa era a parte interna. Quanto à externa, ele era uma desigualdade sociocultural em relação aos outros homens, o que fazia com que muitas mulheres se perguntassem, muitas vezes de forma audível, o que uma obra de arte como aquela estava fazendo comigo. Quase dois anos depois de muitas histórias para contar, minha amiga já começava a me indicar vestidos de noiva, buffets e coisas do tipo. Ríamos do tempo em que, no começo do namoro, algumas pessoas acharam que eu poderia estar me metendo no mesmo problema anterior. Diziam que ele não seria fiel, ou ciumento, ou que deixaria o trabalho sempre em primeiro plano, e eu, em último, que algum defeito ele deveria ter, que estava 'muito bom pra ser verdade'. E era mesmo muito bom: eu não conseguia encontrar algo que me fizesse duvidar de que ele era 'perfeito'. E por isso não consegui me perdoar quando senti que já não sentia mais a mesma coisa. Culpei a mim mesma pela ideia de magoar seus sentimentos, e quando realmente resolvemos conversar sobre isso, acabamos nos magoando. Não era para ser dessa maneira. Ele era perfeito para mim. Mas eu disse que estávamos desencontrados no tempo, e que eu mesma estava muito surpresa com essa situação. Passado um tempo, soube que ele estava de mudança para outro país, por causa da promoção em seu trabalho, e na última vez que nos vimos, ele parecia bem. Conversamos rapidamente, até que chegou alguém que tinha se encaixado muito bem no tempo dele. Eu não senti o ciúme que talvez devesse sentir quando ele a apresentou, e logo depois quando foram embora. Isso me fez ver que nosso breve encontro no tempo foi mágico. Não sei se deveria ou não ter acontecido, mas aconteceu, e eu fico feliz por termos feito parte da história um do outro, não importa por quanto tempo.

2 comentários:

Rach disse...

eu tive um assim...e arrependo-me todos os dias de não ter crescido na altura certa, de não ter agarrado aquele homem com as duas mãos, os pés, os dentes...e tive ciúmes da nova "eu".

mas ele não era o Channing Tatum...se fosse eu teria desmaiado e ponto final ;)

Pétala disse...

Com certeza, minha querida, não há plano de saúde que cubra efeitos colaterais causados por Channing Tatum, kkkkk.
Quanto ao seu arrependimento, é muito natural. Mas pode ser na sua vida, quem sabe, uma parte 3, que ainda não é o final.

Beijos e pétalas.