quarta-feira, 11 de novembro de 2009

A ponte e o cometa

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Sou uma ponte
que já te abriu caminhos
e te mostrou arco-íris duplos no céu.
Sou um caminho
usado pelo teus pés velozes,
e mão desastradas que me feriram.
Fui um chão quente com brilho dourado
e suportei forte o peso da tua cegueira,
com medo de desmoronar sob as marteladas da tua distância.
Teu sentimento fugaz me alcançou
e me deu esperanças fluidas de eternidade.
Tua passagem incendiou as flores
que cresceram ao meu redor.
Tua vida, teu destino é a minha ausência.
E continuarei frágil e embaçada na tua lembrança.
Teus pés correm certeiros para outro lugar.
Teu coração se move ligeiro querendo alcançar
a felicidade desenhada ao teu estilo.
Eu sou agora um caminho abandonado
que não leva a lugar algum.
Novas flores nascem e escondem
minhas cicatrizes.
Cortada ao meio, sinto dores profundas
e fecho meus olhos, sentindo o aroma das flores.
Desejo não acordar, mas por medo de não ter forças
de me libertar das garras
dos galhos das árvores das florestas da noite,
prefiro sentir toda a dor.
Porque sou mais bonita enfrentando que fugindo.
Porque sou capaz de ser completa mesmo sendo metade.
Porque sei congelar o choro e acender o riso.
Porque teus vestígios me ensinam a reconstruir.
Desintegrarei meu corpo e misturarei minha pele com a terra.
E as estações e as luas passarão
até que eu me recrie dentro das árvores.
E estarei escondida até que me descubram âmbar.
Serei desejada e admirada pelo brilho
e intocada como única peça que, estranhamente,
parece guardar a forma de uma ponte e um cometa.
Permanecerão dúvidas,
mas nunca revelarei o segredo
da minha recriação.
Um dia, quem sabe, numa noite qualquer,
se o mundo der a volta do jeito certo,
serei exibida num lugar especial,
e dormirei tranquila, enquanto as cortinas voarão,
desnudando as janelas.
Um cometa mais uma vez passará veloz,
mas se derreterá ofuscado pelo brilho de uma
única pedra de âmbar.
Não florirei meu caminho para perfumar teus pés.
Não sentirei o peso dos teus pés.
Porque mesmo pedra, serei flutuante;
viverei sempre acima de qualquer pensamento teu.
Esticarás teu braço para me alcançar.
Ou permanecerás procurando a luz no subsolo do teu coração.

Pétala, 23/10/2009

7 comentários:

Debor@h disse...

Uau Que lindo poema Pétala. Você estava inspirada quando o escreveu heim haha Como é bom colocar para fora nossos sentimentos e pensamentos né. Seja de qualquer forma. Beijos meus com cheiro de jardim florido hahha

Pétala disse...

Aeeeeee!, gostei da foto! Ai, fofinha, obrigada. Realmente eu estava inspirada; tive motivos para tanto, kkkk. Mas todos nós somos um pouco poetas, não é mesmo?

Beijos e pétalas.

Debor@h disse...

Oi querida, olha eu de novo haha Vim te avisar que tem um selinho para vc no meu outro blog, pq no Design@ndo quase nunca ganho, só de vc mesmo ahah e como quero te retribuir, vai ter que ser do outro mesmo. Beijos espero que goste!

Lampejos disse...

...

A quem corresponda é bom que saiba
que sentimento igual a este

...hoje é relíquia.

Prazer..:)

[obrigada pela visita]

(a)braços,flores,girassóis..)

Pétala disse...

Deborinh@h, desculpe a demora em postar o selinho, não me esqueci, tá?

Lampejos, eu que te agradeço tua visita aqui. Gostei muito do que você escreveu; devo acrescentar que apesar de ser uma relíquia, infelizmente é muito mal compreendido, se é que é entendido de alguma forma por alguns. De qualquer forma, prezo muito uma relíquia deste tipo.

Beijos e pétalas.

mari (a)penas... disse...

Que inspiração! Lindo mesmo! Obrigada por me visitares e por me permitires momentos como ler-te assim!

Beijinhos

Pétala disse...

Obrigada, Mari. Vamos continuar esta troca de visitas que está muito boa, kkk.

Beijos e pétalas.